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Dourados - 06 de September de 2010

Poder é Poder

Dias turbulentos de final de ano: provas, fechamento de bimestre, exame final, conselho disso conselho daquilo... é a vida de professor, somos assim assoberbados mesmo.
Bem, mas não é isso que venho aqui discorrer, mas de uma ocorrência pequena, por assim dizer no nosso cotidiano, mas que me chamou a atenção e me levou a esta reflexão.
Logo após os exames finais, estava eu na escola, pensativo, absorto em minhas divagações sobre o resultado dos exames quando uma aluna, sabedora de que havia sido reprovada no exame final me aborda e diz “professor, me ajude a passar de ano”, no eu respondi que isso não estava ao meu alcance, ao que ela retrucou “pode sim, eu sei que o senhor tem poder para isso”.
A passagem poderia ter passado em brancas nuvens, mas me instigou a pensar em que poder era esse. Como todo aprendiz da vida, corri para o dicionário, lá estavam as definições, entre tantas outras que, grosso modo, talvez mais se encaixassem à situação vivenciada e à minha condição de professor e à dela, de aluna:
PODER – ter a faculdade de; ter ocasião ou possibilidade de; estar sujeito a; ter força; ter força, possibilidade, autoridade, influência para; ter razões para.
Todavia, não foi no dicionário ou em qualquer explicação lexical que encontrei a definição de poder ao qual a aluna se referia. Está, sem dúvida alguma, na minha vivência, na minha vida como professor. É o poder que o professor tem para transformar a vida das pessoas e, por extensão, da sociedade. É o poder de mostrar o caminho, de construir vidas, de promover o exercício da cidadania. É o poder de dar um chão e um céu. E não se trata unicamente de se considerar o professor como exemplo e modelo, mas de compreender que ele interfere e modifica o modo como o aluno constitui-se a si mesmo em seu meio e com os outros, tanto quanto a maneira pela qual ele vai se posicionar na família, na vida, no mundo, na sociedade e nessa infindável rede de interações e relações humanas que participará ao longo de toda a sua vida.
Mesmo que seja eu professor, um produto típico destes tempos conturbados, muitas vezes com espírito cético e hesitante, mas com certeza eu afirmo NÓS TEMOS ESSE PODER SIM!
E é essa constatação que tem o poder de tornar o professor mais amante de sua profissão-missão e mais compromissado com o poder da transformação social que tem às mãos.
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Ramão Ágedo Vieira
Prof. de História
Pós-graduado em Gestão Educacional
Escolas Neil Fioravante e Ramona Silva Pedroso

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