Que Democracia é essa?
Mudam os administradores, mas as práticas abusivas não mudam. Enquanto pipocam processos administrativos no alto escalão do governo municipal, CPI da saúde é aberta e a sociedade douradense sofre com o descaso generalizado que se instaurou nesta cidade com ruas sujas e esburacadas, canteiros abandonados, saúde em estado terminal, insegurança e a educação relegada ao segundo plano.
Nós Profissionais da Educação de Dourados, estamos vivendo neste momento a sensação de assistir a um velho filme várias vezes. Estamos de novo nas ruas em estado de GREVE.
A GREVE é um direito trabalhista garantido por lei e último recurso usado pelos trabalhadores. Os grevistas são chamados de baderneiros e vagabundos, mas estamos nos movimentando e convencendo os colegas das escolas e CEIMs a pararem na luta por uma educação de qualidade.
Muitos dos nossos colegas que ainda permanecem nas unidades educacionais, estão sofrendo pressão por parte de seus superiores .Os professores convocados e os que têm acréscimo de carga horária estão sendo ameaçados de demissão ao final do contrato que acontecerá no mês de julho, portanto os contratos não serão renovados.Estes profissionais estão sendo obrigados a permanecer nos seus locais de trabalho mesmo que não tenham alunos e ainda terão que repor estes dias ao final da GREVE.
Os professores que não são concursados vivem sob estado de tensão psicológica com medo de estarem desempregados a qualquer momento, dependendo da boa vontade de quem os contratou. Alguns são amigos do REI e permanecem em cargos de confiança numa situação aparentemente confortável.
Podemos perceber através das falas de alguns colegas o medo pela incerteza de um futuro próximo.
A qualidade da educação é um conjunto de fatores que ultrapassa a questão salarial, precisamos de condições físicas e psicológicas para o bom desempenho de nossas atividades, com ambiente e recursos que garantam esta qualidade pretendida.
Todos nós dependemos de um salário, mas que seja um salário digno, capaz de atender nossas necessidades básicas de sobrevivência, que nos garanta o direito ao lazer e a qualidade de vida ao lado dos nossos familiares, mas acima de tudo que tenhamos saúde suficiente para desempenharmos nossas funções a contento e quando finalmente tivermos o direito de aposentadoria,que tenhamos tempo de usufruir do descanso merecido sem estarmos condenados às filas dos consultórios médicos, isto se tivermos condições de pagar um plano de saúde decente, caso contrário só nos restará uma velhice melancólica.