Dourados - 23 de February de 2012

Crianças de 4 e 5 anos superlotam escolas em Campo Grande

Uma mudança na Constituição Federal, realizada em 2009, provocou uma verdadeira corrida de pais de crianças de 4 e 5 anos às escolas da Reme (Rede Municipal de Ensino) em busca de matrículas para seus filhos. A Semed (Secretaria Municipal de Educação) já estima um aumento de 58% no número de alunos do Pré1 e Pré2 no ano de 2012, chegando a 8,2 mil crianças.

Com a mudança na legislação, se tornou obrigatória a frequência de crianças com idades entre 4e 17 anos em escolas brasileiras. Antes, a obrigatoriedade se restringia às crianças com idade entre 6 e 14 anos.Apesar de a mudança ter sido aprovada no fim de 2009, os Estados e municípios têm até 2016 para se adequarem. "Temos um prazo ainda para cumprir essa legislação, mas já estamos nos adequando aos poucos", afirma a secretária municipal de Educação, Maria Cecília Amendola.

De acordo com a Semed, neste ano 330 salas de aula serão destinadas à Educação Infantil, somente nas escolas da Reme. No ano de 2011, foram 194 salas. A secretária de Educação diz, ainda, que além das escolas, os Ceinfs (Centros de Educação Infantil) também terão salas do Pré1 para alunos de 4 anos.

Em razão da enxurrada de matrículas, a Prefeitura de Campo Grande teve de alugar anexos para comportar as novas turmas. Um dos casos é o da Escola Municipal Nagem Jorge Saad, no bairro São Pedro, região sudoeste da cidade. No ano passado, a escola teve seis turmas no Pré. Em 2012, o número dobrou e serão atendidas mais de 200 crianças com idades entre 4 e 6 anos. Ao todo, serão sete turmas de Pré1 e 5, no Pré2. O anexo da escola foi alugado na rua Souto Maior, a menos de um quilômetro do prédio principal.

No Jardim Anache, região norte de Campo Grande, a Escola Municipal Nazira Anache voltou a oferecer vagas para a Educação Infantil em razão da demanda. Inicialmente, estavam previstas quatro turmas duas de Pré1 e duas de Pré2 , mas já foi necessária a abertura de mais uma sala para o Pré2, no período matutino. Além disso, a escola ainda contará com quatro salas de primeiro ano, onde podem ser matriculadas crianças que completam 6 anos até março de 2012.

Depois de ficar sem oferecer vagas para a Educação Infantil durante três anos, a Escola Municipal Padre Tomaz Ghirardelli vai atender crianças matriculadas no Pré2, em 2012. Os mais de 100 alunos serão distribuídos em quatro turmas. Conforme informações repassadas pela própria escola, as turmas de Pré1 serão atendidas pelos

quatro Ceinfs da região. As turmas do Pré foram abertas em salas "desocupadas" por turmas do 1º ano. Das nove salas de 1º ano em 2011, duas foram fechadas.

Por conta da falta de professores, principalmente, para a Educação Infantil, a Semed adiou o início das aulas. Entre os 300 professores convocados de última hora, cerca de 140 são para a Educação Infantil e devem ser empossados até o dia 8 de fevereiro. As aulas começam no dia 9 de fevereiro.

Para a secretária de Educação, o aumento na procura de vagas da Educação Infantil devese ao esclarecimento da própria população. "A sociedade, realmente, está exigindo do Poder Público. Por conta das mudanças sociais, é comum toda a família trabalhar e as crianças precisarem ir para a escola mais cedo também", afirma.

Além do aluguel de novos espaços para comportar os novos alunos, a prefeitura também teve de adequar as escolas que já funcionam. "Precisamos adequar toda a escola com estrutura física. Então, estamos colocando parquinhos em todas as escolas, adaptando os banheiros com vasos menores, para atender estes alunos. O professor também tem uma formação específica, já que temos uma proposta pedagógica diferenciada para essas crianças", explica Maria Cecília.

A necessidade de trabalhar faz com que muitas mães busquem vagas nos 92 Ceinfs (Centros de Educação Infantil) da Capital. A falta de vagas, no entanto, fez aumentar a procura nas escolas. Na tarde de ontem, a técnica em Enfermagem Edilsa Carvalho, 35 anos, foi à Escola Nagem Jorge Saad em busca de uma vaga para a filha de 4 anos. "Coloquei o nome da minha menina na lista em setembro do ano passado e até agora não chamaram. Pelo jeito, não vai ter vaga este ano de novo no Ceinf e eu preciso trabalhar. A vantagem da creche é que ele fica o dia inteiro", afirma Edilsa.

Moradora do bairro São Conrado, Edilsa afirma que nas duas creches e nas duas escolas próximas da sua casa não tinham vagas. "Mesmo que eu consiga aqui, fica complicado, porque é longe da minha casa." (PB)

Fonte: O ESTADO DE MS
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