Num debate marcado pela troca de farpas e pela polarização entre PT e PSDB, educação e reforma política foram os temas programáticos mais tratados pelos candidatos nos blocos em que trocaram perguntas entre si.
Temas que têm pautado a campanha, como segurança pública, política externa e programas de transferência de renda, como o Bolsa-Família, foram ignorados pelos candidatos à Presidência.
Marina Silva (PV) usou uma pergunta de José Serra (PSDB) sobre o ensino técnico para criticar a qualidade das escolas paulistas: "Infelizmente, mesmo com 20 anos de governo do PSDB, temos graves problemas", disse, aumentando o período correto em quatro anos.
O tucano defendeu a rede estadual e repetiu a promessa de abrir um milhão de vagas no ensino profissionalizante até 2014: "Isso oferece futuro para os jovens e crescimento para a economia".
Dilma Rousseff (PT) elogiou o ProUni, que facilita o acesso de estudantes pobres à universidade, para acusar o DEM de tentar extingui-lo no STF (Supremo Tribunal Federal). Serra negou, alegando que a ação do partido aliado questionava apenas uma parte do programa.
O candidato do PSDB, por sua vez, questionou a petista sobre o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) para criticar o vazamento das provas, em 2009. Segundo ele, o caso "desmoralizou" o teste.
CONSTITUINTE
Marina e Dilma fizeram dobradinha ao defender a convocação de uma Constituinte exclusiva para votar a reforma política.
Elas elogiaram a promessa do presidente Lula de se dedicar ao assunto após deixar o poder, em janeiro.
A senadora chegou a propor que o presidente trabalhasse em conjunto com o antecessor, o tucano Fernando Henrique Cardoso. Dilma não comentou a ideia.
Em outro embate com a petista, Serra criticou o aumento da carga tributária e prometeu, se eleito, baixar impostos sobre a cadeia produtiva e o setor elétrico. Dilma o acusou de usar números defasados e disse que a gestão tucana não investiu em saneamento.
Com o clima quente, os presidenciáveis não se lembraram de apresentar ideias para combater a violência e o narcotráfico. Também ficaram de fora polêmicas envolvendo o Bolsa Família, as relações do governo com o Irã e a suposta ligação do PT com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), sustentada por Serra.