Um novo cenário se inicia no meio da pesquisa científica em Mato Grosso do Sul. Isso porque membros da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect) avaliam como positivas as discussões do workshop da Rede Pró-Centro-Oeste de Pós-Graduação, Pesquisa e Inovação, realizada no último dia 9, em Brasília.
O evento reuniu presidentes das fundações de apoio à pesquisa (FAPs) que apresentaram suas demandas e expectativas. Dentre elas, a necessidade da formação de recursos humanos, de fortalecer a pós-graduação no Centro-Oeste e melhorar a infraestrutura de Ciência e Tecnologia na região.
O diretor-presidente da Fundect, Fábio Edir Costa, disse que o mais importante foi a presença das FAPs dos quatro Estados da região (MS, MT, GO e DF), além do Ministério de Ciências e Tecnologia, que coordena a Rede, de representantes do CNPq e da Capes.
"Deixamos todos os detalhes acordados, para que a partir da implementação do edital em diante, as regras sejam claras e as mesmas para todos", afirmou.
Serão destinados à Rede-Pró-Centro-Oeste para 2010 e 2011 recursos da ordem de R$ 51 milhões. Deste total, R$ 30 milhões são provenientes do Ministério da Ciência e Tecnologia, R$ 4 milhões da Capes, além da contrapartida dos Estados com R$ 4,25 milhões cada.
O recurso será divido em quatro partes iguais, fato que democratiza e garante as mesmas condições de desenvolvimento em pesquisas para os Estados envolvidos.
"Isso significa que independente do Distrito Federal, que possui um número superior de pesquisadores, ainda mais se considerarmos a Universidade de Brasília ( UNB), que tem um potencial muito maior de pesquisa, até por questões históricas, eles irão concorrer com total igualdade com as demais universidades do Centro-Oeste", explicou Costa.
A iniciativa terá ênfase na conservação e uso sustentável dos recursos naturais do Cerrado e do Pantanal. Para isso, o programa Centro-Oeste compreenderá três linhas de atuação: Ciência, Tecnologia e Inovação para sustentabilidade da Região Centro-Oeste; Bioeconomia e Conservação dos Recursos Naturais; e Desenvolvimento de Produtos, Processos e Serviços Biotecnológicos.
Capital intelectual
O diretor científico da Fundect, Marcelo Tunire, acredita que esta rede irá mostrar a possibilidade de investimentos em pesquisa, ciência e tecnologia, e na capacidade inovadora de nossa região. "É uma questão que vai durar quatro anos, o que garante continuidade. Frisamos três fatores importantes durante o workshop em Brasília, que são: continuidade das ações, agilidade nos processos; e a flexibilidade na gestão", completa.
Segundo Turine, o foco principal, a partir de 2011, é costurar um programa de pós-graduação interestadual e interinstitucional para formar vários doutores e produtos de inovação. "O grande desafio será agregar recursos humanos e empresas, para gerar patentes e melhorar os índices de capital intelectual, o que tornaria Mato Grosso do sul muito mais competitivo no cenário nacional e internacional", finaliza.
O presidente da Fundect ressalta que as condições criadas com a rede são favoráveis para desenvolver e transformar a região Centro-Oeste. "Há um diálogo entre os pesquisadores, o que é muito importante. O desenvolvimento irá gerar uma nova indústria do conhecimento na região".
Critérios
De acordo com informações do Ministério da Ciência e Tecnologia, o conselho diretor da Rede Pró-Centro-Oeste definiu que o perfil desejado para a indicação dos membros do Comitê Científico deve seguir os seguintes critérios: experiência em atividades de pesquisa e pós-graduação; atuação nas áreas de conhecimento relevantes aos componentes da rede; preferencialmente pesquisadores e bolsistas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT); pesquisadores que tenham liderança, capacidade de articulação e visão progressista; experiência com gestão de CT&I e observar o equilíbrio entre os eixos da rede.