Dourados - 05 de February de 2012

Números que não conversam

Serra prega construção de 400 quilômetros de metrô no país e diz ter entregue 26 estações durante o mandato. Dados oficiais indicam apenas quatro

 Depois da controvérsia causada por dados citados pelo candidato José Serra (PSDB) e rebatidos pelo governo em relação à Saúde, informações divergentes em relação ao metrô no estado de São Paulo foram mencionadas pelo tucano, ontem, na capital paulista. Segundo o ex-governador, foram entregues 26 estações no programa Expansão São Paulo, mas dados oficiais da Secretaria dos Transportes Metropolitanos dão conta de que foram entregues quatro estações nos últimos três anos.

"Aqui já foram 26 estações se você considerar as novas e as que foram totalmente refeitas na CPTM (a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). Isso é um recorde na história", disse Serra, logo após passeio em um dos trens da CPTM para a gravação de cenas de seu programa eleitoral. Informações da secretaria apontam a entrega de quatro estações e 4,7 quilômetros de linhas no programa Expansão SP, programa que tem como objetivo a ampliação das linhas de transporte metropolitano por meio da integração do metrô e de trens, o chamado metrô de superfície.

Questionado sobre o atraso no programa, o ex-prefeito da capital paulista e ex-governador do estado minimizou a polêmica. "Estão sendo feitos quilômetros e mais quilômetros. Atrasos são ajustes naturais. Teremos 20 quilômetros a mais de metrô até o fim do ano em São Paulo", afirmou. Segundo o candidato, são investidos R$ 20 bilhões por ano em São Paulo para a reforma e construção de novas estações.

Extensão

Serra prometeu ainda que, caso eleito, fará um programa para construir 400 quilômetros de metrô no Brasil para atender cidades com mais de 500 mil habitantes, onde os gastos com desapropriações são menores, o que reduziria o custo das obras. Segundo o candidato, seriam necessários cerca de R$ 45 bilhões. Os recursos viriam, segundo ele, do Tesouro Nacional, dos estados, municípios, da iniciativa privada e de financiamentos nacionais e estrangeiros.

"Dá perfeitamente para fazer isso no Brasil nos próximos anos. Em quatro anos você começa e, em alguns casos, você termina porque se trata de prolongar, de concluir obras." Serra citou empreendimentos deste porte que estão parados, como os casos de Salvador e Fortaleza, e afirmou que falta empenho federal no assunto. Entre as grandes cidades que enfrentam problemas com o metrô, o candidato elencou Porto Alegre (RS), Curitiba (PR), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), Recife (PE) e Goiânia (GO). "Praticamente no Brasil os metrôs foram paralisados."

Pedidos

Apesar de ouvir elogios de alguns usuários dos trens durante o passeio, Serra enfrentou também muitas cobranças de melhorias e críticas. "O senhor é mais alto e mais bonito pessoalmente", disse a coordenadora Larissa Nunes Ribeiro. Já a doméstica Raquel Azevedo pediu que o candidato fizesse o mesmo percurso às 18h para ver o "sufoco" que ela passava naquele horário. A enfermeira Maria Aparecida Donizete aproveitou a aparição de Serra para pedir melhorias na Saúde. "A Zona Sul está descoberta ainda. Falta principalmente médico." Após o compromisso, o governador deixou o local de carro.

Estão sendo feitos quilômetros e mais quilômetros. Atrasos são ajustes naturais"

José Serra, candidato do PSDB à Presidência, quando questionado sobre a extensão das obras do metrô

Vão dizer que sou um sujeito bizarro, que estou numa egotrip. É uma indignidade com os meus 60 anos de vida pública"

Plínio de Arruda Sampaio, candidato do PSol à Presidência

Mais perto dos jovens

Rio de Janeiro - De olho em mais de 24,7 milhões de votos, os candidatos à Presidência Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSol) tentam uma aproximação com os jovens entre 16 e 24 anos. Ontem, no Dia Internacional da Juventude, os presidenciáveis fizeram questão de reforçar, cada um à sua maneira, o papel da juventude nesta campanha. Plínio criticou, num debate na PUC-RJ, a postura de jovens de classe alta que, segundo ele, alimentam as desigualdades sociais no país. "É isso que permite um menino ir a um restaurante com a namorada e gastar mais do que o salário de um trabalhador que tem mulher e filhos." Chamou ainda de "absurda" as viagens de helicóptero nos fins de semana que os jovens fazem.

Apesar das críticas, o socialista foi chamado pelos estudantes de "candidato da juventude", "nossa voz contra a desigualdade" e "um espectro rondando o Brasil", em referência ao espectro do comunismo citado no Manifesto Comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels.

Plínio chegou à tradicional universidade particular com quase duas horas de atraso. Durante a tarde, estudantes entravam e saiam do auditório em busca de informações sobre o candidato. Queriam saber se ele já tinha chegado, se iria participar. Plínio ficou conhecido pela maioria depois de participar de um debate na TV Bandeirantes. A sua atuação o fez ganhar as redes sociais. "Só vou para o debate na Rede Globo por conta do Twitter. Foi a pressão de vocês", disse para a plateia formada por alunos da instituição e de colégios da Zona Sul do Rio. Plínio, que virou tuitteiro de plantão, pediu até que os jovens o defendam na internet. "Agora vão dizer que sou um sujeito bizarro, que estou numa egotrip. É uma indignidade com os meus 60 anos de vida pública."

Nem mesmo propostas polêmicas, como fechar o Senado (1)e o financiamento da educação, desagradaram os estudantes. O PSol defende, entre outras coisas, que o dinheiro público só possa ser usado nas escolas públicas, confrontando o Programa Universidade para Todos (Prouni) do atual governo. A reforma agrária foi outro assunto debatido. Um aluno queria saber "qual o crime" de alguém enriquecer trabalhando honestamente. Segundo Plínio, o problema é a falta de igualdade de oportunidades. "Porque se ele tem uma terra maior que 1.000 hectares está roubando a oportunidade de outro ter uma terra", disse, apresentando sua proposta que limita a posse de terras no país.

Efetividade

Plínio e a candidata Marina Silva se encontraram no Fórum Nacional, na Academia Brasileira de Letras. A verde lembrou o dia da Juventude, apesar de grande parte da plateia de quase 400 pessoas estar em outra faixa etária. A maioria era empresários, cientistas políticos e acadêmicos. Marina cobrou efetividade nas políticas públicas para juventude, especialmente na educação. "A crise social, que debela oportunidades de vida para 2 bilhões de pessoas que vivem com menos de US$ 1 por dia. Hoje, há 15 milhões de jovens analfabetos. É o rosto triste da desigualdade", afirmou Marina, analfabeta até os 16 anos de idade. A verde foi bastante aplaudida.

O candidato José Serra (PSDB) não foi ao debate organizado pelo Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae), patrocinado pelo governo federal. O vice de Dilma, Michel Temer (PMDB), representou a ex-ministra. Temer disse que o Brasil precisa de uma revolução que é uma transformação. "Se hoje as favelas pedem cultura, é porque o Brasil evoluiu."

1 - Senado desnecessário

Uma das propostas de Plínio de Arruda Sampaio inclui a extinção do Senado. A Casa, segundo ele, só serve para manter oligarquias, como a família Sarney. "O Brasil não precisa do Senado. O país nunca foi uma federação. Sempre foi unitário", disse o candidato. Segundo ele, o sistema brasileiro é uma cópia dos EUA. "Lá funciona, aqui é um velho conto de caciques", afirmou.

Críticas ao pedágio Dilma Rousseff resolveu comprar a briga sobre a qualidade das estradas brasileiras. Em contraponto às "rodovias da morte", qualificação usada pelo tucano durante entrevista ao Jornal Nacional, Dilma citou problemas do sistema de pedágios implantado pelo ex-governador em São Paulo. "Defendo um modelo radicalmente diferente", afirmou. No modelo federal, diz, ganha a concessão quem cobrar o menor valor de pedágio. No modelo paulista, segundo ela, vence a licitação quem paga mais. "E quem paga mais não vai ficar com o prejuízo. É, de certa forma, uma cobrança de imposto disfarçada de pedágio", comparou, em entrevista ao programa Painel RBS, em Santa Catarina. Outra provocação de Serra mereceu comentários da petista(1). O tucano afirmou que não dá para governar na "garupa de Lula". Como resposta, ela afirmou que Serra tem medo de comparar os desempenhos de Fernando Henrique Cardoso e Lula. "O meu adversário tem um medo enorme da comparação. Ele não pode estar na garupa do presidente FHC porque é até uma covardia." Dilma afirmou ainda que "tem orgulho" do presidente Lula e o considera um presidente "muito forte, que mudou o Brasil". Licenciamento Também no Sul do país, Dilma se mostrou simpática à ideia de construir um estaleiro em Biguaçu, região metropolitana de Florianópolis. As instalações teriam a função de construir navios especializados em extração de petróleo. O projeto é da OSX, empresa do milionário Eike Batista, e enfrenta problemas com licenciamento ambiental, pois ficaria próxima a reservas ecológicas e a uma comunidade indígena. "É possível combinar respeito ao meio ambiente e desenvolvimento", comentou Dilma. 1 - Forcinha de revista inglesa Se depender da publicação inglesa The Economist, a ex-ministra da Casa Civil de Lula tem tudo para assumir o Planalto a partir de 1º de janeiro. Segundo reportagem publicada pela revista, a petista, tratada como principiante no mundo político, caminha para herdar a Presidência surfando na popularidade do presidente Lula. Na opinião dos jornalistas britânicos, embora Serra tenha mais experiência política, Dilma conta com os 75% de aprovação do governo brasileiro e com três minutos a mais de propaganda no horário eleitoral gratuito.


Veículo: CORREIO BRAZILIENSE - DF

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