Hoje, dia 12, ocorrem mobilizações simultâneas em todos os estados brasileiros;
ato convidará toda a sociedade para participar do Plebiscito Popular
pelo Limite da Propriedade da Terra que ocorrerá em todo o país entre os
dias 1 e 7 de setembro
Falta
menos de um mês para a realização do Plebiscito Popular pelo Limite da
Propriedade da Terra no Brasil. Entidades, organizações, movimentos e
pastorais sociais articulados em todos os estados realizarão hoje,
quinta-feira (12), um grande mutirão de formação e divulgação do evento.
Várias
atividades estarão ocorrendo simultaneamente em todo país. No ato a
população brasileira também será convidada a participar de um
abaixo-assinado que já circula em todos os estados desde o início da
campanha pelo Limite da Propriedade da Terra no Brasil.
Estados
como Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Pará,
Espírito Santo, Paraná, Maranhão, Alagoas, Ceará e o Distrito Federal
farão a distribuição de materiais informativos sobre o plebiscito. Em
cada estado, municípios estratégicos e locais de grande circulação de
pessoas serão os pontos utilizados para a abordagem da população.
O
dia 12 de agosto foi escolhido para o Dia Nacional de Mobilização em
memória a Margarida Alves, ex-presidente do Sindicato de Trabalhadores
Rurais de Alogoa Grande, na Paraíba. Em 1983 ela foi covardemente
assassinada devido as suas denúncias contra uma usina.
Além
das 54 entidades que compõem o Fórum Nacional pela Reforma Agrária e
Justiça no Campo, também promovem o Plebiscito Popular pelo Limite da
Propriedade da Terra, a Assembleia Popular (AP) e o Grito dos Excluídos.
O ato ainda conta com o apoio oficial das Pastorais Sociais da
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do Conselho Nacional
de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic).
Outras informações
O
Plebiscito Popular pelo Limite da Propriedade da Terra será o ato
concreto do povo brasileiro contra a concentração de terras no país, que
é o segundo maior concentrador do mundo, perdendo apenas para o
Paraguai. Esta consulta popular é fruto da Campanha Nacional pelo Limite
da Propriedade da Terra, promovida pelo Fórum Nacional da Reforma
Agrária e Justiça no Campo (FNRA) desde o ano 2000.
A
campanha foi criada com o objetivo de conscientizar e mobilizar a
sociedade brasileira sobre a necessidade e a importância de se
estabelecer um limite para a propriedade. Mais de 50 entidades,
organizações, movimentos e pastorais sociais que compõem o FNRA estão
engajadas na articulação massiva em todos os estados da federação.
Cada
cidadã e cidadão brasileiro será convidado a votar entre os dias 01 e
07 de setembro, durante a Semana da Pátria, junto com o Grito dos
Excluídos, para dizer se concorda ou não com o limite da propriedade. O
objetivo final é pressionar o Congresso Nacional para que seja incluída
na Constituição Brasileira um novo inciso que limite a terra em 35
módulos fiscais, medida sugerida pela campanha do FNRA. Áreas acima de
35 módulos seriam incorporadas ao patrimônio público e destinadas à
reforma agrária.
“A
Campanha da Fraternidade deste ano também propõe como gesto concreto de
compromisso a participação no plebiscito pelo limite da propriedade. Um
limite para a propriedade faz parte de uma nova ordem econômica a
serviço da vida", afirma Dirceu Fumagalli, membro da coordenação
nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Para ele, uma consulta
popular, mais do que obter resultados concretos com a votação, é um
processo pedagógico importante de formação e conscientização do povo
brasileiro sobre a realidade agrária. "São milhares de famílias
acampadas à espera de uma reforma agrária justa. São índices crescentes
da violência no campo. É o crescimento desordenado dos grandes centros
urbanos. Tudo isso tem relação direta com a absurda concentração de
terras no Brasil."
Segundo
Luiz Claudio Mandela, membro da coordenação colegiada da Cáritas
Brasileira, os promotores do plebiscito querem dialogar com a sociedade
sobre a concentração de terras no Brasil. "Isso interfere na estrutura
política, social, econômica e geográfica do país", ressaltou. De acordo
com Mandela, durante toda a campanha estão sendo coletadas assinaturas
para que esta proposta seja convertida em um projeto de iniciativa
popular. "Para isso precisamos de, no mínimo, 1,5 milhão de assinaturas.
Mas pretendemos superar esta meta."
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